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CORINTHIANS, NAMING RIGHTS E A CORRIDA CONTRA O TEMPO
Por Administrador
Publicado em 30/08/2025 09:00
SPORT BUSINESS 520

Corinthians, Naming Rights e a corrida contra o tempo

Quando o Corinthians assinou com a Hypera Pharma, em 2020, para batizar seu estádio de Neo Química Arena, o contrato de R$ 300 milhões em 20 anos parecia resolver um problema histórico: enfim, a Arena Itaquera tinha nome. Mas cinco anos depois, a conta não fecha. O clube recebe R$ 15 milhões anuais – menos que Palmeiras e São Paulo arrecadam em seus contratos mais recentes – e vê a necessidade de corrigir a rota.

A nova diretoria projeta um patamar completamente diferente: R$ 840 milhões em 12 anos, algo próximo a R$ 70 milhões por temporada. É um salto ousado, mas necessário para quem precisa levantar R$ 200 milhões até dezembroapenas para fechar o ano sem atrasos de salários e direitos de imagem.

A Neo Química não tem intenção de acompanhar essa escalada de valores. E aí entra a criatividade – ou, para alguns, o desespero. A ideia de incluir o CT Joaquim Grava no pacote é uma tentativa de manter a parceria viva, diversificar ativos e, ao mesmo tempo, evitar a perda de um patrocinador estratégico. Vale lembrar que já houve sondagens acima de R$ 200 milhões pelo centro de treinamento.

O movimento do Corinthians também mira o Ginásio Wlamir Marques e a Fazendinha. O raciocínio é claro: se a Arena sozinha não gera o valor que se busca, por que não abrir o leque e transformar todo o patrimônio esportivo em um portfólio de Naming Rights?

Há, claro, riscos. O contrato atual prevê multas para rescisão, mas esses valores caem rapidamente com o tempo. Hoje, romper custaria pouco mais de R$ 50 milhões. Em setembro de 2025, o número cai ainda mais. Ou seja: o mercado percebe que o Corinthians tem pressa e margem de negociação, o que pode enfraquecer sua posição na mesa.

Três a quatro empresas já demonstraram interesse, e o presidente Osmar Stábile fala em concorrência de envelopes fechados, no estilo leilão. É uma estratégia inteligente para tentar extrair o máximo de cada proponente. Mas ainda assim, o desafio é convencer o mercado de que o ativo "Arena Corinthians" vale esse salto de valorização em tão pouco tempo.

No fim, o que está em jogo é mais que um nome estampado na fachada do estádio. É a sobrevivência financeira de um clube que precisa reinventar seu modelo de negócios. Se o Corinthians conseguir transformar seus ativos em fonte de receita compatível com sua torcida e relevância, pode inaugurar um novo capítulo no marketing esportivo brasileiro. Se fracassar, será mais um caso de promessa grandiosa que parou na planilha.


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